FRINGE 4x09 – ENEMY OF THE ENEMY


Spoilers Abaixo!

O nono episódio trouxe algumas novidades, mas não empolgou. As ramificações apresentadas no roteiro se encontraram nesses últimos episódios e está faltando habilidade para lidar com elas. Um ponto positivo, entretanto, é a forma correta como estão alternando a narrativa entre os dois universos. Só para comparar: em “Heroes” e “Lost”, os erros cometidos nas narrativas em tempos e dimensões paralelas, dificultaram muito o bom andamento da trama. No caso de Heroes, aniquilou completamente a série que tinha uma ótima premissa.

Enemy of My Enemy” mostrou que o lado negro da trama tem membros importantes, mas, como os metamorfos voltaram à cena, tudo pode não passar de um engodo dos roteiristas. O Broyles alternativo parece ser um metamorfo. O sinistro David Robert Jones, revelou o episódio, parece estar a serviço de Nina Sharp. A Elizabeth alternativa, antes uma neurótica que sofria pela perda do filho, misteriosamente, atravessou o portal e veio consolar e aconselhar Walter. E o Peter? O rapaz tomou para si a responsabilidade de enfrentar Jones fazendo pose de herói e tudo o mais.

As informações foram despeajdas e a trama embolou um pouco. Espero respostas, muitas respostas nos próximos episódios. Para terminar, uma inferência sobre o título do episódio, “Inimigo do Meu Inimigo”: o Walternativo pode estar dando uma de bonzinho porque Jones é inimigo comum entre ele e a outra dimensão. Algo como: “vamos trabalhar juntos para eliminar o nosso inimigo”.

Ficha
Escrito por: Monica Breen e Alison Schapker
Direção: Joe Chappelle
Exibição(EUA): 20 de Janeiro de 2012

MAURITZSTADT, MAURICÉIA, OU APENAS SÍNDROME DE ESTOCOLMO?


A história de Pernambuco, sobretudo da cidade do Recife, está intimamente ligada à vida do navegador germânico Johann Moritz von Nassau-Siegen, o Maurício de Nassau. De linhagem nobre, foi conde ainda na época do Sacro Império Romano Germânico e, após a formação da Confederação Germânica (1674), príncipe de Nassau-Siegen. Tinha forte formação militar mas, diferentemente dos combatentes da sua época, conservou a formação religiosa e o apreço pela arte, sobretudo a arquitetura. Sua inclinação calvinista e a necessidade de prover recursos para bancar seus sonhos arquitetônicos o levaram a aceitar o convite da Companhia das Índias Ocidentais para administrar os territórios holandeses conquistados no Brasil.

Foi num 23 de janeiro como hoje, que Maurício de Nassau desembarcou no porto do Recife. Sua comitiva refletia sua formação humanistica, muito mais que a militar. Era composta por arquitetos, cientistas, gravuristas, médicos e religiosos. Diferentemente dos portugueses, que impuseram o credo católico, Nassau propagou a liberdade religiosa estabelecendo uma relação amistosa com os nativos e estrangeiros que aqui viviam. O Recife passou por um rápido período de modernização e se tornou uma das cidades mais importantes das Américas. Nassau tornou-se um mito no imaginário dos pernambucanos. Recife conserva até os dias de hoje traços da cultura holandesa e mantém uma relação histórica tão íntima com os Países Baixos que muitos estudiosos, numa analogia com a psicologia, afirmam ser uma manifestação do que eles chamam de “Síndrome de Estocolmo”, o sentimento de apreço que o dominado sente pelo dominador.

O Instituto Ricardo Brenand, espetacular museu iconográfico do Recife, reúne uma coleção original de obras dos pintores Franz Post e  Alber Eckhout, ambos da comitiva de Nassau. A cidade do Recife em ensaios poéticos e em várias publicações históricas locais é chamada de “Mauricéia” ou “Mauritzstadt”, uma referência a influencia de Maurício de Nassau. Fora isso, tem as coincidências naturais: a cidade do Recife é cercada por canais, tem uma geografia idêntica a da cidade de Amsterdã, que vive em constante luta para fugir do avanço das águas.

Há alguns anos, a empresa de saneamento do Recife fazia escavações no Recife Antigo e descobriu uma sequência de diques construídos na época dos holandeses. A obra tinha o mesmo propósito dos famosos pôlderes holandeses: conter o avanço do mar. O local acabou virando um museu a céu aberto alimentando mais ainda a mística dos holandeses. São 375 anos de uma história que a maioria dos recifenses adora relembrar e alguns adoram rechaçar. Seja como for, é uma bela história.

MORRE JIMMY CASTOR, PIONEIRO DO FUNK


Não é só no Brasil que os grandes artistas morrem no esquecimento. No último dia 16, aos 71 anos, morreu Jimmy Castor, uma lenda do funk de raiz. James Wolton Castor, era saxofonista e integrou o grupo Jimmy Castor Bunch” emplacando vários hits como "Troglodyte (Cave Man)" e “The Everything Man”. O legado de Jimmy serviu de influencia para a disseminação do funk e da soul music pelo mundo, inclusive no Brasil. Artistas como Tony Tornado, Chico Science e Tim Maia foram fortemente influenciados por ele.
 
Segundo as agências de notícias, Jimmy Castor, apesar da fama, morreu pobre e esquecido. Enfrentava dificuldades financeiras e não conseguia mais espaço na mídia americana. Abaixo, o espetacular vídeo da música “It's Just Begun”, uma verdadeira aula de soul. Regozijem-se:

ELIS DEVERIA TER SIDO MINHA FILHA


No exato momento em que escrevo esse post, estou contemplando Elis no “Arquivo N” da Globo News. Uma série de vídeos e depoimentos da grande estrela da emepebê. Conheci – musicalmente falando, claro – Elis na adolescência. No final da década 70, na rua em que eu morava, tinha um grupo de jovens (um pouco mais velhos que eu) que curtia o que eles chamavam na época de “música altamente” ou “música cabeça”. Elis Regina era figura carimbada. Aquelas imagens em preto e branco dela cantando "Ponteio", ou a lendária interpretação de “Águas de Março” junto com Tom, os dois brincando com um standard da emepebê. Inesquecível!

E o que ela tinha de diferente? Depois de sua morte, em 19 de janeiro de 1982, o mito cresceu bastante, é certo. Entretanto, no auge da sua carreira, muitos já apontavam Elis como a grande interprete de todos os tempos da emepebê. Ela era teatral, não era só uma interpretação vocal. Somatizava as histórias cantadas alterando, num mesmo espetáculo, felicidade e tristeza num estalar de dedos. Eu gostava tanto dela que sonhava em ser pai de uma menina que se chamaria “Elis”. Quando minha primeira filha nasceu, acabei não realizando esse sonho porque minha ex-esposa não gostava do nome. Resolvi a questão batizando minha filha com o nome de Thais, que rima com Elis.

Hoje, exatamente, está fazendo trinta anos que ela se foi. Para relembrá-la -  e ao mesmo tempo exorcizar esse momento atual da “música” brasileira -  escolhi uma canção bastante significativa da carreira dela: “Para Lennon e McCartney”, de Milton Nascimento. Essa canção é meio que um hino da minha adolescência. Regozijem-se:

COLAGEM VOL. 03 - SURTANDO NO ÔNIBUS


FRINGE 4x08 – BACK TO WHERE YOU'VE NEVER BEEN

O retorno de Fringe não me empolgou muito, esperava um pouco mais do episódio. O interessante é que, finalmente, foi apresentado um porquê relevante para a introdução desse “Peter” rejeitado na dimensão real. O episódio serviu para construir a historinha que colocou frente à frente ele e o Walternativo.

Peter pediu ajuda a Olivia para cruzar o portal e tentar encontrar o caminho de volta para a sua dimensão. A descoberta desse caminho, segundo ele, só seria possível com a ajuda do Walternativo. Olivia fingiu concordar e bolou um plano para colher informações sobre a máquina que provocou o cruzamento entre as duas dimensões. O Lincoln da dimensão real cruzou o portal junto com Peter.

O universo alternativo serviu como cenário para quase todo o episódio. Logo que chegaram do outro lado, Peter e Lincoln foram capturados. Um dos agentes, era um transmorfo infiltrado e tentou matar os dois. Peter reagiu e acabou se aproveitando da situação. Percebeu a farsa de Lincoln e o usou para escapar do FBI.

A saga de Peter tentando encontrar o caminho de volta para o seu mundo lembrou, em muito, a premissa do clássico desenho “Caverna do Dragão”. Nesse contexto o Walternativo é uma espécie de “Mestre dos Magos”. Depois de conversar com Elizabeth, o correspondente alternativo da sua mãe, Peter acabou ficando cara a cara com o Walternativo. Num breve teatrinho, o velho eliminou um cientista, na verdade um transmorfo, e fez parecer que ele era infiltrado e o Walternativo estava contra ele. Pouco convincente, mas Peter acreditou. Os dois selaram um acordo: Peter o ajudaria com informações do universo real em troca da volta para o seu mundo.

O final do episódio mostrou ainda duas revelações:

*O Broyles alternativo está mancomunadoo com os transmorfos, acabou dedurando Olivia e Lincoln com um telefonema.

*O Observador apareceu, com um buraco de bala no peito, só para revelar à Olivia que ela deveria morrer seja em qual fosse o mundo. Sinistro! No geral, achei que o episódio ficou devendo.

Ficha
Escrito por: David Fury & Graham Roland
Direção: Jeannot Szwarc
Exibição (EUA): 13 de Janeiro de 2012

NADA MUDOU

Ontem passei em frente a Estação Central do Recife e pude verificar que tudo continua na mesma, tapumes cercando a obra interminável do “centro cultural” que nunca chega. Aliás, percebi uma mudança: decoraram os tapumes com motivos de xilogravura um recurso visual mais agradável do que a fria cerca de madeirite que protegia a obra. Seja como for, o histórico prédio continua fechado e ninguém se pronuncia sobre o assunto.

Saiba mais sobre o assunto aqui e aqui.